Muita gente que usa gírias (e quase sempre usa muitas) não sabe a origem delas. Como já falei antes aqui, às repugnantes gírias de penitenciária que
são correntes no dia-a-dia das cidades violentas como Rio e São Paulo juntam-se
outras, que vêm da televisão. As igualmente repugnantes "fala sério"
e "tipo assim" vieram respectivamente do programa Casseta e Planeta e
da personagem da atriz Heloísa Périssé, que interpretava uma adolescente
afetada. Vamos falar de cada uma delas:
"Fala sério"- das duas é a menos presente (graças a
Deus menos uma), e parece estar em vias de desaparecimento;
"Tipo assim"- é a mais virótica e afeta até mesmo
pessoas mais esclarecidas; com a sua redução, "tipo", que é usada
como pontuação pela esmagadora maioria dos adolescentes e jovens, que já usam
um ritmo de falar exageradamente rápido e que às vezes dificulta a compreensão.
Ainda pior é a extensão da segunda sílaba, que toma tempo e estimula o falante
a acelerar ainda mais o discurso. Com toda essa necessidade de velocidade, não
é de se espantar que atropelem a correção do português.
Sei que os grupos têm necessidade de se fazer
entender, mas convenhamos, dizer frases como esta: "Ele é assim
t'puuu gato..." , que ouvi outro dia, pode ser
considerada uma forma de tortura e ser punida pelo código penal, sem falar da
supressão definitiva da expressão "por exemplo" pela dita
gíria.
Continuando-se nesse passo, em breve quem não
assistir televisão será incapaz de entender o que se fala nas ruas e quiçá até
mesmo nos meios mais eruditos.
Só nos resta rezar para que estas gírias não sejam
registradas muitas vezes, para que não se corra o risco de vê-las eternizadas
pelos dicionaristas mais atentos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário