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sábado, 25 de fevereiro de 2017

O Desaparecimento do "para"

Observo diariamente que o nosso povo, por ignorância, indolência ou simples tentativa de simplificar e/ou agilizar a língua, mutila, privilegia gírias de origem espúria e relega ao esquecimento palavras de origem latina que constituem a beleza da nossa língua. Assevero que não sou um purista, apenas sou um cidadão que procura utilizar-se da nossa língua-mãe da maneira mais fiel possível. Portanto, a partir de hoje, sempre que escutar ou ler absurdos, transcrevê-los-ei aqui (sim, com mesóclise e tudo). Convido a todos que lerem o blog a corrigir-me sempre que cometer um erro. Se a correção for pertinente, postarei uma errata, se não, apresentarei os motivos da não-aceitação.


O Desaparecimento do "para"


     Originário do per latino, vem sendo mutilado ao longo da história da língua. Primeiro, tivemos o pra, que eu mesmo uso quando converso com pessoas de pouca instrução; atualmente devido à pressão dos meios de comunicação de massa, cujos programas têm a sua produção quase exclusiva em São Paulo, foi reduzido a pa, com todas as implicações decorrentes. No Brasil acontece um fenômeno interessante: enquanto em outros países o dialeto adotado como padrão é o da capital, aqui a pressão é a favor do dialeto do estado economicamente dominante, fato de que não tenho notícias de paralelos no exterior. Ora, talvez a explicação para isso seja que Brasília é reconhecidamente um elefante branco, que não representa culturalmente o nosso país, por isso não exerce qualquer influência no Português Padrão (sim, em maiúsculas). No Rio de Janeiro, pela forte presença de alunos do Sul e de São Paulo nas faculdades cariocas, alunos de sotaque nitidamente carioca mudam o seu modo de falar em nome da tão presente necessidade de aceitação e status no grupo. Os focos da cultura nas terras de Pindorama (nome que os índios davam ao nosso país) sempre foram o Rio de Janeiro e o Nordeste, principalmente a Bahia; portanto não faz sentido que o nosso idioma seja falado nacionalmente e mesmo na televisão como é falado em São Paulo ou no Sul. A beleza da nossa língua tem um forte componente na diversidade dos nossos sotaques e isso não pode e não deve ser perdido em nome de uma padronização que o empobrece, utilizando o falar de um único estado. Uma conhecida rede de televisão brasileira, padroniza o sotaque dos seus repórteres, passando a impressão de que todos os lugares do país falam da mesma maneira. Patético.

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