É lamentável que jornalistas formados, que
trabalham em estações de TV de grande visibilidade, cometam erros crassos. Seguindo
a tendência das ruas, uma apresentadora de TV insiste em dizer: "Gostaria
de lhe comprimentar..."
Ora, minha
querida, não me dei ao trabalho de procurar no "Vocabulário Ortográfico da
Língua Portuguesa" por esta palavra da qual, aparentemente, você é
coautora. Se essa palavra existisse, teria o sentido de "incrementar o
comprimento", e não "saudar". Consta-me que você é uma das
pessoas públicas que costumam dizer que a solução para o nosso país é a
educação. Então há uma divergência entre discurso e prática, pois dizer
palavras inexistentes, fora do seu sentido ou (como parece) com pronúncia
errada é ir no sentido inverso. Sem falar que você insiste em abolir os
pronomes reflexivos, como é de uso corrente em quase todo o Brasil, fazendo com
que os textos que lê (espero que sejam erros de redação) se pareçam com
traduções malfeitas do inglês, idioma que tem quase por regra ignorar os pronomes
reflexivos.
Nas novelas, já
ouvi várias vezes a pergunta feita a alguém que caiu: "Machucou?"
Então ficamos incapazes de saber se o sentido da pergunta era saber se a pessoa
se machucou, ou se machucou alguém.
O que me dói é
saber que um veículo de comunicação que se arvora defensor da educação preste um desserviço à mesma, utilizando construções frasais de cunho regionalista e
contrários à forma culta do idioma.
Não quero
aqui proclamar que devamos nos servir da forma erudita/padrão/culta do
português em todos os casos nos meios de comunicação, mas sim utilizar palavras
que não denotem as origens dos atores, novelistas, repórteres e redatores. A
linguagem utilizada nos meios de comunicação deve ser compreendida por todos
que se utilizarem deles, sem que haja a imposição de falares regionais como
padrão. Um morador do Amazonas não deveria ser obrigado a conhecer e utilizar
gírias e formas de palavras dos subúrbios carioca, gaúcho ou paulista. Deveria
antes saber que homem é ser humano do sexo masculino, e não saber o
que é cabra, mano, mermão ou maluco.
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